Quase sempre, e isso se tornara comum, duas pessoas de sexo
oposto se cruzavam pelas ruas da pequena cidade. Em cada bom dia ou boa tarde
era inevitável a troca de olhares. Ele se sentia tão só... ela, embora tivesse
tido um grande amor, sofrera grande desilusão e, num processo inverso aos de
contos infantis, o príncipe se transformara em sapo. Ora! Dois corações, ainda
que não se conhecessem, buscavam uma só coisa: alguém para dividir a solidão.
domingo, 21 de abril de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
A menina que guardava sonhos
Quem na adolescência não relatava a emoção de seus dias nas
páginas de um diário? Páginas de papel que hoje deram lugar às virtuais, mas
todos, crianças, adolescentes querem registrar cada dia de sua história e em
cada um deles escreve como se já pudesse prever o futuro e então escreve sobre
seu presente, mas também contando e pensando nos seus sonhos, projetos, ainda
que tenha pouca compreensão acerca do que quer na vida. Talvez aquele namoro,
aquela amizade, os sonhos que se misturam nas páginas de um diário vão mais
nesse sentido ao invés de realização profissional.
domingo, 7 de abril de 2013
Sonho de Padaria
Existem alguns alimentos que tem o fantástico poder
nostálgico de nos fazer, ainda que por um instante pequeno e único, voltarmos à
nossa criancice; algumas comidas e bebidas trazem consigo certo gosto de
infância. Sabe um daqueles dias que você acorda com uma vontade enorme de comer
um doce? Foi assim que acordei hoje.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Palhaço
Uma missa como outra qualquer e lá, da primeira fileira de
bancos, um menino encarava-me sorrindo, querendo brincar de esconde-esconde
entre as pessoas e bancos que nos separavam. Esbocei também alegria em minha
face e retribui a brincadeira. De repente, ouço o menino dizer para a mãe: -
mãe olha o palhaço!
terça-feira, 2 de abril de 2013
O pão nosso
Lembro-me das palavras do padre a dizer: fechemos nossos
olhos, reconheçamos nossas culpas diante de Deus... Pouco antes de fechar meus
olhos dei uma espiadela ao redor e vi no banco da Igreja uma menina que com
piedade e devoção segurava suas pálpebras juntas, bem trêmulas, era possível
perceber que na inocência de criança fechara os olhos, mas os deixou entreabertos
tendo por cortina os cílios para assim não perder nada do que acontecia ao seu
redor.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Uma amizade para recordar
Temos amigos de todos os tipos, mas cá pra nós, ter amigo
artista é um privilégio para poucos. Da coxia dos teatros para o palco da minha
vida tive a graça de conhecer uma artista. Certa vez, lembro-me bem, ficamos
uma semana juntos realizando um trabalho voluntário. Ah! Quanto aprendizado...
numa das noites, ambos cansados pelo exaustivo serviço, veio, por parte dela,
uma proposta, algo que a relaxava muito, uma técnica que aprendera nas aulas de
teatro: sentir o crânio do outro... pensei: será que vai dar certo? Bem, fui eu
me arriscar a segurar sua cabeça e sentir seu crânio.
Pequenos retalhos de pensamento e poesia
O mundo é repleto de seres humanos, cada um com seu jeito,
seu modo de ser. Cada um traz consigo um modo de vida, uma cultura, nos
tornamos uns para os outros uma verdadeira escola. Não trago aqui um tema
científico, nem tampouco polêmico, mas acredito que seja curioso. Afinal, falo
da vida, e o que é a vida? O que fazemos com ela?
terça-feira, 19 de março de 2013
Uma Igreja acomodada no comodato?
É antigo o ditado que diz: “a gente só dá valor quando vemos
que estamos pra perder”, penso que seja mais ou menos isso o sentimento dos
católicos de Jahu com a hipótese de “perder” o prédio Paulo VI. Não podemos
negar que aquele lugar seja um símbolo histórico de formação cristã para nossa
cidade, no entanto, quem passa lá em frente pode achar que é apenas um casarão
abandonado.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Será possível?
Era noite fria de inverno e lá estava o homem sentado à mesa
de um restaurante simples, não tanto quanto os trajes que vestiam o altivo
senhor. – boa noite, dissera-lhe a
garçonete, o que o senhor vai querer para hoje? – caldo de mandioquinha,
respondeu de pronto. Enquanto aguardava o pedido tinha olhar atento a tudo o
que o cercava.
domingo, 25 de novembro de 2012
Refleti(n)do
Por Natália Xavier
Que
visão peculiar era aquela a qual estava sujeito? Tão familiar e tão
indefinível. Por que a imagem traduzida era tão distorcida? Escondido na gaveta
de sua cômoda, tão desgastada pelo tempo e pela umidade, encontrou seus óculos.
Nem fora capaz de recordar o quanto o ponteiro do relógio rodara sem que esses
lhe fossem necessários. Nas atuais circunstâncias tal objeto se tornara parte
do cotidiano. Era quase impossível enxergar sem eles.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
À flor da noite
Há alguns metros distante de minha janela um pé de “Dama da
noite”, uma espécie de flor que, na primavera, se abre ao anoitecer e se fecha
com os primeiros raios do sol. Faz poucos dias que a primavera começou e sua
beleza já tem invadido nosso cotidiano, reservando-nos surpresas como a de num
entardecer de domingo podermos sentir o mais doce perfume, da mais meiga flor.
Mesmo estando plantada há metros de distância, faz com que por um milésimo de
segundo paremos e nos deixemos envolver pelo seu aroma.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Palavras Jogadas
Mortos, todos mortos! Uma moto, um tiro, um homem ao chão!
Um homem? Um ho-mem!? Em meio a tanta
violência nem me parece que o que vemos noticiar é sobre homens e mulheres.
Mortos, todos mortos! Vemos a mídia dizer que bandidos passaram com motocicleta
e assassinaram cinco, seis, inúmeras pessoas.... ou ainda: bandidos ateiam fogo
em ônibus...
sábado, 13 de outubro de 2012
A Felicidade
Mal chegara o inverno e já podíamos sentir o frio fazendo
com que nossos corpos ficassem gélidos. Em tempo assim muitas propostas são
irrecusáveis como, por exemplo, um bom chocolate quente, um cappuccino, e lógico, o tradicional filme com pipoca
envolto a muitas cobertas e mantas.... Mas naquela manhã fria o sol acompanhado
da forte cerração colocava diante daquele ser uma nova proposta para passar os
dias frígidos do inverno que ainda não começara.
domingo, 16 de setembro de 2012
Amor de Outdoor
Enquanto ele viajava trazia na mente as cenas de amor que
outrora vivera, sentia como que se a cada quilômetro rodado mais um tijolo
fosse assentado na ponte da saudade que começara a construir dentro de si. Em
meio ao sol da manhã, o silêncio e o balanço, aquele homem contemplava o
infinito, seus olhos iam ao longe como se lá... ao longe, pudesse encontrar o
objeto de seu amor, e embevecido encontrasse nela não mais a adolescente feliz
por quem um dia se apaixonara, mas sim a mulher que o tempo a fizera. Isso lhe
colocava diante da afirmação de que o os anos passaram, e ele também se fizera
homem formado.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
O caos, a moça e o pôr do sol
Campinas estava um caos. Empresa de transporte público em greve, funcionários públicos fazendo manifestação e pedindo aumento salarial na frente da prefeitura, estavam barrando as ruas, ninguém passava, ninguém saia a não ser que fosse ativista.
terça-feira, 8 de maio de 2012
A menina e o tempo
Ela era criança, tinha muito da vida pra aprender e estava ali, na plataforma, parada, de braços abertos e contava: trêêês... doooooois... uuuuuum... Eu, na minha ignorância adulta, me virei, embora a voz fosse de criança não é sempre que se escuta uma contagem regressiva, resolvi ver o que era e era ela: menina de cabelos esvoaçantes, roupa simples, calça vermelha e camiseta branca, na certa não tinha mais do que seis anos.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Festa de São João
Era noite de junho, o frio
era incontestável, aqueles de partir os lábios. Ele se arrumava para a festa;
ela, sem saber se produzia para seduzir e conquistar na vida um amado. Ambos de
locais diferentes, cada um de sua casa, partiram para a festa de São João.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Encontro com Drummond
Acredite você, respectivo leitor, que esta noite tive um encontro com Carlos Drummond de Andrade. Isso, aquele mesmo, mineiro que tanto fizera nosso Brasil ser grande não apenas pela geografia, mas pelos belos poemas e crônicas que nele existem.
terça-feira, 10 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Lições da vida
Certa vez fui convidado para almoçar na casa de um casal, já
idoso, porém de espírito muito jovial. Há quem diga que os idosos são os sábios
de nosso tempo, digo ainda: com eles aprendemos por onde devemos pisar. Como já
dizia a canção: “mas a gente aprende a vida é uma escola...” e que escola é a
vida, nela um dia pretendo ser professor, mas por hora, sou aluno, ocupo as
primeiras carteiras e espero ansioso por tudo aquilo que ela tem a me ensinar.
Nesse almoço ela me ensinou duas lições.
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