terça-feira, 7 de junho de 2011

O 'selinho' e a saudade

Destino da viagem: Campinas, interior de São Paulo. Lá estava eu, em mais uma viagem, após mais uma missão cumprida. O cansaço era inevitável, porém, a alegria de ter se sentido útil na vida de alguém, na vida de alguns jovens me motivava.
Mochila nas costas, bilhete de passagem nas mãos, apresentei-o ao motorista, ele muito cordialmente desejou-me boa viagem, esbocei um sorriso e desejei também a ele, afinal, seria uma boa viagem se ele dirigisse bem.
Comecei a subir as escadas do ônibus e ao olhar para os primeiros bancos vi uma senhora, com os olhos brilhando, e não era o reflexo de seus óculos, mas era seu olhar dizendo-me: anda moço, entre rápido, para que o ônibus possa partir! Li logo o que me diziam os olhares da vovó...entrei no corredor, procurei meu lugar, que por sorte não estava ocupado por alguém que havia confundido o número da plataforma que embarcou com o da poltrona que iria sentar.
Tirei a mochila das costas, sentei-me, fones de ouvido: trilha sonora pras longas três horas e meia de viagem que começava a enfrentar. Após um cochilo, uma conversa com o companheiro ao lado, chegamos no posto, praticamente todos desceram, exceto a vovó, que aguardou ansiosa em seu lugar.
Após um lanche rápido, todos voltamos para o ônibus que seguiu sua rota. Enfim, cheguei ao meu destino, saindo de um breve cochilo, que fora interrompido pelas gargalhadas da poltrona vizinha, vi ao longe o ônibus se aproximar de Campinas, as luzes da cidade pareciam estrelas, mas vim a descobrir que para a vovó pareciam setas que indicavam o motivo de sua ansiedade.
Enfim na rodoviária, o ônibus parou, coloquei a mochila nas costas, dirigi-me para a saída ao passo que vi a vovó na janela acenar para um senhorzinho de sorriso simpático, óculos, e boina. Como ela estava na janela dependia da pessoa que estava no corredor dar lugar para ela passar... pois bem, notei o aceno, desci na frente, andei um pouco e parei para observar a cena, talvez rara nos dias de hoje.
Desceu um rapaz, depois uma moça, e a vovó logo atrás ajudada pela mulher que estivera ao seu lado durante toda a viagem. No entanto, a mulher nem desceu do ônibus, quando a vovó chegou no ultimo degrau da escadinha o vovô já estendeu os braços, e a recepcionou.
Minha mente já pensava: que bonito, será que vai rolar um beijo de boas vindas? E não é que teve mesmo, que cena maravilhosa. Um ‘selinho’ selou o fim da saudade de uma vovó e de um vovô. Juntos, abraçados, um apoiado no outro, saíram da plataforma... contemplei por um instante a cena...lembrei-me que precisava comprar passagens, pegar o circular para casa, já estava atrasado!
Continuei a andar, seguir meu destino, mas aprendi nessa viagem: não importa o quanto o tempo passe, o amor sempre permanece, há uma música chamada “Amor nunca morre” do padre Zezinho e diz o seguinte: “amor que é amor nunca morre, mas pode também suceder, que falta de quem o cultive ele viva pequeno e não chegue a crescer.”
Ame as pessoas, cultive amor, para que ele nunca morra e assim possa estar sempre crescendo e envolvendo sua vida. Que o verdadeiro amor possa aquecer os nossos corações nesse tempo de frio, afinal nas palavras do poeta Luis Vaz de Camões: “amor é fogo que arde sem se ver”. Amemos e nos deixemos amar. Nos simples gestos cultivamos o amor. Você já o cultivou hoje?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A revolta de um brasileiro

Quatro de junho de dois mil e onze! O Rio de Janeiro amanheceu como passarela de desfile para os órgãos responsáveis pela ordem pública do Estado. Eu estava me preparando para viajar... acordei, banho tomado, mala pronta, pensei: vou ouvir um pouco de notícia antes de sair. Liguei o rádio, jornal da CBN fazia a cobertura da manifestação dos bombeiros no Rio de Janeiro. De imediato liguei o computador, acessei o site de notícias da Globo (G1), e estava lá! Homens de honra lutando pela sua dignidade.
Porém, meu rosto corou de vergonha quando vi autoridades públicas dando ordem a outros homens fardados para entrarem no quartel que até então estava sendo ocupado pelos quase 2 mil manifestantes, incluindo bombeiros, mulheres e crianças. Que país é esse? Que governo é esse? Quer mostrar serviço, quer fazer bonito pra estrangeiro ver?
Segundo as notícias, os bombeiros que ganham um salário de R$950,00 estavam reivindicando reajuste salarial e vale transporte. Já há dois meses tentavam negociar com o governo esse aumento, que até então não chegou. Eu queria ver esses ladrões de gravata sem os auxílios que ganham.
Meu texto é de revolta! Cansei de ver homens de farda e uniforme se escondendo em roupas tão dignas. E isso se aplica aos muitos que nesse país usam um paletó e gravata e se sentem os donos da verdade.
O país está cansado desses opressores, mentirosos. Está, há mais de uma semana, pipocando protestos no país, seja no Pará, por conta da construção da Usina Belo Monte, seja em São Paulo com a greve dos transportes públicos, e agora, no Rio de Janeiro com os bombeiros.
Vamos parar de fazer vista grossa! O povo quer viver em paz e com dignidade. Não quer deixar os ricos mais ricos. O povo quer justiça! Só isso, alguns políticos fazem vista grossa, continuam aprovando leis e mais leis para que o bolso deles encham cada vez mais, vinte vezes mais, e para que alguns nesse país tenham vinte vezes menos.
É hora de mudar isso! Cadê os jovens? Cadê a voz do povo? Cadê a justiça e o caráter desse país? Que gritem os povos clamando sua liberdade e esse grito possa ser uma “bomba de efeito moral”, para essa gente que não tem moral alguma e quer vir falar de ordem pública e justiça. Desordem pública é o dinheiro desviado pelo colarinho branco, desordem e desrespeito com o patrimônio público é ter cada vez mais empresas querendo privar pessoas de estarem no seu lar. Vergonha e revolta de um brasileiro que somente gostaria de ver o seu país mais justo, mais solidário, mais fraterno, mais verdadeiro. Como se omitir diante de tudo o que está acontecendo?

terça-feira, 31 de maio de 2011

O sentido da vida

Muitas vezes, por conta do corre-corre da vida, vamos esvaziando o sentido dos momentos que passam pela nossa história. Momentos alegres, tristes, e por estarmos cegos nem se quer aprendemos com nossas experiências.
Tudo passa muito rápido, o tempo voa e leva consigo pessoas amadas ou não, amiga ou não, nas palavras da poetiza Cecília Meireles: “Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre.” Assim também acontece com os momentos de nossa vida.
Certa vez eu estava muito desanimado e pessimista, decidi sair com alguns amigos, fomos para o Shopping, estávamos ali na praça de alimentação quando por um instante me vi sozinho. Comecei a observar as pessoas e olhando-as pensava: “o que é nossa vida? Vivemos para morrer?... amizades, amores, tudo se reduz a pó no término de nossa vida? Olhava os jovens e me perguntava: todos muito alegres, com seus amigos (as), namorados (as), abraçavam, beijavam... até parece que não iriam envelhecer... e quando a velhice chegar? Eles estarão numa casa esperando a morte e outros jovens estarão a curtir a vida e nem se quer irão se lembrar deles.... perguntava pra mim mesmo: o que será desses jovens amanhã? Como serão as crianças? Eu? E você que me lê? O que seremos no amanhã?
Após esse momento comecei a buscar respostas e percebi que as pessoas vão ao shopping sempre acompanhadas, vão ali para estreitar os laços de amizade, vão ali para que momentos alegres ou tristes se eternizem em suas vidas.
Eureka! A vida seria mesquinha demais se fosse feita apenas de momentos e esses momentos não trouxessem para nossa vivência um sentido. Voltei para casa, mas pensando tudo isso: como valorizar os momentos da vida? Como encontrar esperanças? Refazer as forças?
Dúvidas no coração e na mente... ainda pouco antes de dormir conversava com uma amiga sobre o que estava pensando e ela deu-me um conselho que não esquecerei tão fácil...ao dizer para ela das minhas angústias e minha falta de esperança, ela me disse: “converse com crianças...elas sempre enxergam tudo tão lindo”.
Ao ouvir isso um sorriso se abriu, era uma alegria que vinha do coração, fiquei sem palavras, por um instante nostálgico (um momento de saudade) pude viajar e visualizar o sorriso que brota da pureza de uma criança... como se eu tivesse encontrado o elixir da longa vida (como se tivesse encontrado uma composição química que fosse prolongar toda minha vida, deixando-me imortal), e talvez o tenha, terminei a conversa e fui me deitar; ao encostar a cabeça no travesseiro me lembrei das palavras de Jesus: “deixai as criancinhas virem a mim e não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus”... “aquele que não receber o reino de Deus como uma criancinha, não entrará nele” (Lucas 18, 16-17).
E já quase no fechar dos olhos uma frase ressoava no coração: “converse com as crianças... elas enxergam tudo tão lindo... converse com as cri-an-ças... elas enxergam tu-do tão lin-do...”

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O menino e o cubo

Domingo, finalzinho de tarde, o sol já se escondia, todos voltavam da casa da mãe para as suas casas e eu em mais uma viagem. Algo interessante me chamou a atenção, quando o ônibus parou em uma cidadezinha do interior de São Paulo, entrou uma família muito jovem, como todo bom jovem, tinham no rosto o desejo pela aventura, mas também as marcas de uma vida vivida com alegria, porém em meio às dores, como que se as marcas dissessem: - Aprendemos com o tempo!
O menino, de uns 8 anos entrou na frente, todo entusiasmado, depois dele a mãe e por último o pai, como se estivesse guardando toda a família. O menino nem precisou ler no bilhete qual era a poltrona de seus pais, já foi logo sentando na janela. Porém, ali não era seu lugar, era o lugar de seu pai, que o repreendeu duramente por estar ocupando um lugar que não era dele. Logo, o pai mandou que o menino sentasse na poltrona correspondente ao que haviam comprado para ele. 
Mas qual não foi a surpresa do menino, o seu lugar não era na janela, e pra falar a verdade quem de nós não gosta de viajar na janela, principalmente quando criança, temos a impressão que somos nós quem estamos a dirigir o ônibus, nos sentimos o máximo.
Pois bem, mas mesmo assim, o menino sentou na poltrona ao lado da janela, entrou então uma mocinha, a dona do lugar onde o menino ocupara, com uma face entristecida, com os olhinhos quase a lacrimejar foi para o seu lugar; a mocinha então disse: - pode sentar na janelinha!
O menino todo feliz voltou e ficou quietinho, vi, então que seu pai tirou de uma das malas um cubo mágico e entregou ao menino. Meus olhos já cansados de sono se fecharam e adormeci.
Estava n meu cochilo e de repente, de sobressalto, acordei com a seguinte exclamação: - Paaaaai! Ao abrir os olhos, eles se voltaram para a pessoa do menino que com um sorriso e com o braço estendido na direção do pai mostrava a proeza que conseguira realizar: deixar um lado do cubo com as cores iguais.
É bem verdade que o menino teria distração para a viagem toda, afinal, ainda tinha muito trabalho pela frente; até conseguir deixar o cubo mágico montadinho iria levar um pouquinho de tempo. Mas o interessante é que ele se alegrou por ter acertado ao menos um lado do cubo. O pai, como resposta à alegria do filho, fixou seu olhar no olhar do menino, sorriu e lhe disse: - Na vida esforce-se sempre para que os maus momentos ou a desordem não sejam um motivo para que você desista. É importante lutar sempre por aquilo que acredita.
      O ônibus chegou ao seu destino, a mãe à frente seguida do menino e depois o pai. Ao continuar observando a família, mas agora fora do ônibus, pegando as malas que estavam no bagageiro, percebi que o menino olhava para mim, quando nossos olhares se cruzaram fiz um sinal de jóia, ele correspondeu, o ônibus partiu e para mim ficou a mensagem: Siga seu caminho, lutando pelos seus sonhos e sendo paciente nos momentos em que tudo parecer estar confuso.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Quando vi era Jesus

Ainda estamos ruminando essa boa nova: Jesus está vivo em nosso meio. Vemo-nos diante de uma passagem belíssima, a passagem de Emaús. Três coisas chamam a nossa atenção neste Evangelho:
1º - A tristeza dos discípulos;
2º - A presença de Jesus;
3º - A alegria de anunciar o Ressuscitado.
A TRISTEZA DOS DISCÍPULOS
Relembremos um pouco a história e vamos ver que os discípulos estão caminhando e então lhes aparece Jesus. E eles estavam conversando, certamente comentavam sobre o acontecimento da cruz e morte do Senhor. Mas, diz o texto que quando Jesus apareceu os discípulos não o reconheceram (Cf. Lc 24,16).
Qual será o motivo pelo qual os dois peregrinos não conseguiram descobrir que era Jesus? Certamente ambos estavam desiludidos com o que acontecera, ou seja, estavam ainda chorando a morte do Senhor. Eles esperavam um Jesus libertador, que pudesse derrubar, usando da força, os poderosos; esperavam de Jesus um guerreiro. Mas com a sua morte de cruz viram que o “guerreiro” havia perdido a batalha, era como um derrotado. E eles estavam tristes por isso, porque haviam apostado tudo em Jesus, mas agora não conseguiam compreender porque Ele havia morrido.
A tristeza dos discípulos são também as nossas tristezas, quantos de nós já não conseguimos enxergar o Senhor. Porque nossos olhos estão voltados para as mortes de nossa vida. A estrada de Emaús é também a nossa estrada, é a nossa vida. E os discípulos somos nós, sou eu e você que caminhamos. E o que falamos pelo caminho? Falamos das maravilhas de Deus em nossa vida ou fazemos fofocas, intrigas, choramingamos e reclamamos dos nossos problemas?
Se hoje Jesus nos aparecesse e perguntasse sobre o que estamos conversando, o que diríamos? Talvez tivéssemos a mesma resposta inocente dos discípulos de Emaús: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?”.
A PRESENÇA DE JESUS
O mais bonito nesta passagem é que Jesus não se impõe, ou seja, ele se aproxima dos discípulos, conversa com eles e como se fosse um deles vai recordando todas as passagens que falavam sobre sua vinda, sua morte e sua ressurreição.
Conforme Jesus vai falando algo diferente começa a acontecer no coração daqueles homens. Pois as palavras de Jesus são palavras de esperança, palavras que fazem com que os discípulos possam voltar a acreditar que o Messias, o Cristo, está vivo, ressuscitado.
Fato curioso acontece quando os discípulos chegam ao seu destino e então Jesus faz como quem ia mais adiante, mas os discípulos por perceberem que havia algo de diferente naquele homem pedem: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus aceita o convite, entra na casa, abençoa o pão e o reparte com os que se encontravam na casa. E depois desaparece.
Ainda hoje essa cena se repete. Na Missa, fazemos essa caminhada de Emaús, e podemos, também, sentir arder o nosso coração tendo a certeza de que Jesus está em nosso meio. Afinal, na missa Ele nos fala pelos profetas, que são as leituras que ouvimos; depois de ouvir, fazer esse exercício de aprender do Senhor, através de sua Palavra Revelada, nós queremos mais, por querer mais nós também clamamos: fica conosco, Senhor!
Ao ouvirmos a sua palavra vamos criando em nosso coração uma certeza: a certeza de que Deus é um Deus conosco, e assim como não abandonou o povo de Israel no Primeiro Testamento, tanto mais não nos abandonará agora, em nossos momentos de desilusão.
E prova disso, de que ele continuará nos amando e nos dando forças, é a Eucaristia, o pão, o Cristo vivo e ressuscitado em nosso meio. Quando estamos diante da Eucaristia nossos olhos se abrem e conseguimos reconhecer Jesus em nossa vida. Porém nossos olhos só irão se abrir quando deixarmos Jesus ficar conosco. Veja, os discípulos foram ousados, e pediram fica conosco. O que ainda nos impede de deixar Jesus agir em nossa vida?
A ALEGRIA DE ANUNCIAR O RESSUSCITADO
Assim que Jesus partiu o pão os discípulos se tornaram testemunhas de que Jesus estava ressuscitado. O interessante é que quando foram contar para os apóstolos o que tinha acontecido, eles disseram como tinham podido reconhecer Jesus no partir do pão.
Meus irmãos (ãs), no início desta reflexão eu comparei nossa pessoa com a pessoa dos discípulos de Emaús, mas, agora, encerro pedindo que possamos ser Jesus na vida das pessoas. Porém, só o seremos de fato quando o nosso coração se abrir a Ele e o deixarmos agir em nossa vida.
Existem muitos irmãos desanimados na caminhada. Se fazemos uma experiência com o Senhor na missa, através de sua Palavra e de seu corpo eucarístico, nós somos convidados a sermos pessoas de alegria e que levam a esperança. Não levamos fofoca, não levamos desilusão, mas levamos o amor, a esperança e a alegria que são frutos da ressurreição de Jesus.
Talvez você se pergunte, mas, como posso ser um Cristo na vida dos meus irmãos? Dando-lhes esperança, levando uma palavra amiga, mas sobretudo, repartindo o pão. O pão material e o pão espiritual, isso não um assistencialismo barato, mas é dar o pão, repartir o que se tem, não só pão, mas dar oportunidade para que as pessoas se sintam valorizadas e assim, teremos um mundo mais justo e fraterno onde veremos que verdadeiramente Cristo está vivo e presente em nosso meio.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

E vos darei descanso!

Havia alguns gregos, entre os que tinham subido para adorar, durante a festa. Eles aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galileia e lhe pedriam: "Senhor, queremos ver Jesus!" Filipe vem a André e lho diz; André e Filipe o dizem a Jesus. Jesus lhes responde:
"É chegada a  hora em que será glorificado o Filho do Homem. Em verdade, em verdade, vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer, produzirá muito fruto.
Quem Ama sua vida a perde e quem odeia sua vida neste mundo guardá-la-á para a vida eterna. Se alguém quer servir-me, siga-me; e onde estou eu, aí tambpem estará o meu servo.
Se alguém me serve, meu Pai o honrará. (...) É agora o julgamento deste mundo, agora o príncipe deste mundo será lançado abaixo; e, quando eu for elevado da terra atrairei todos a mim.
(João 12, 20-26. 31-32)
      Nós poderíamos dividir essa passagem em duas partes. Na primeira refletiríamos sobre o fato de que os gregos vão até Filipe e na segunda analisaríamos a resposta de Jesus aos discípulos Filipe e André. Sabemos que se aproximava o dia da Páscoa, os judeus e todo o povo ia a Jerusalém onde poderiam se preparar para bem fazerem a memória da libertação.
      Ir a Jerusalém antes da Páscoa era tradição, mas naquele ano, o trigésimo terceiro de Jesus, havia uma novidade e um motivo a mais para se estar em Jerusalém, e esse motivo era a presença de Jesus.
      A interpretação nos permite concluir que muitos iam ao templo para se prepararem para a festa, no entanto, também, muitos tinham a curiosidade de conhecer esse tal Jesus de Nazaré. Essa conclusão fica muito clara no capítulo 11,56 do Evangelho de João, no qual é narrada essa ida do povo até Jerusalém - “Eles procuravam Jesus”.
      O povo queria fazer uma experiência com aquele que ressuscitou mortos, curou cegos... e então entramos na primeira parte de nossa reflexão: os gregos vão até Filipe para verem Jesus. Filipe é um dos apóstolos que possuía um carisma todo especial, que era levar pessoas a esse encontro com Jesus. Haja visto que fez com Natanael, como vemos em João capítulo 1 versículo 45-46:

Filipe encontra Natanael e lhe diz: “Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas: Jesus, o filho de José, de Nazaré”. Perguntou-lhe Natanael: “De Nazaré pode sair algo de bom?” Filipe lhe disse: “Vem e vê”.
      Filipe não apenas anunciava, mas, também, quer que as pessoas conheçam Jesus muito de perto. Talvez por isso os gregos o procuraram para que ele mostrasse Jesus. O Papa Bento XVI nos dá uma lição bonita sobre esta suplica dos gregos a Filipe. Diz o Papa:
     

Isto nos ensina a estar sempre dispostos tanto a receber perguntas e inovações de onde quer que venham como a dirigi-las ao Senhor, o único que pode satisfazê-las completamente. É importante, de fato, saber que não somos nós os destinatários últimos das orações dos que nos cercam, mas que é o Senhor: a ele devemos dirigir todo aquele que tem necessidade. Quer dizer, cada um de nós deve ser um caminho aberto para ele. (Audiência geral, 6 de setembro de 2006, praça de São Pedro)
      Uma frase de nossa ‘segunda parte’ complementa essa fala do Papa e, também, nos dá margens para pensarmos agora sobre a resposta de Jesus. Lemos assim no versículo 32: “Quando eu for elevado da terra atrairei todos a mim”. Jesus faz uma profecia: reunir em si toda a humanidade; esse versículo me faz lembrar o versículo 28 do capítulo 11 do Evangelho de Mateus que diz: “Vinde a mim vós que estais cansados e eu vos darei descanso” (Mt 11,28).
      Se por um lado somos convidados a morrer verdadeiramente para aquilo que é pecado em nós, para aquilo que nos impede de chegar a verdade que nos liberta, essa morte pode ser que nos cause tristezas, afinal nos desprenderemos de nossas seguranças, por outo lado o próprio Cristo se apresenta como consolo de nossa ‘morte’.
      Morte aqui neste texto de João simboliza vida, pela morte Jesus revela o amor do Pai, através da morte encontramos a vida eterna. Para que precisamos morrer para gerar mais vida em nós e naqueles que estão em nossa volta? Olhando para Filipe, vendo os gregos que vão até ele para verem Jesus, também podemos nos questionar: quantas pessoas chegam até mim cansadas, angustiadas, precisando conhecer aquele que é o tudo de suas vidas, diante delas como as conduzo para uma experiência com o Ressuscitado?
      Ainda fazendo uso das palavras do Papa encerro esse texto, que não esgota as respostas para as perguntas, mas podem nos dar um caminho para refletirmos ainda mais sobre elas. Diz o Papa:

O objetivo de nossa vida deve ser encontrar Jesus como Filipe o encontrou, tentando ver nele o próprio Deus, o Pai Celeste. Se não fizermos este esforço, só veremos projetada a nossa imagem como um espelho e estaremos cada vez mais sozinhos! Em troca, Filipe nos ensina a deixar-nos conquistar por Jesus, a estar com ele e a convidar também aos outros a compartilhar esta indispensável companhia. E vendo e encontrando a Deus, encontraremos a verdadeira vida.
      Que possamos ter o desejo dos gregos, desejo de conhecer Jesus, a abertura de Filipe para recebermos as pessoas que chegam até nós e as levarmos até o Cristo, e que tenhamos a certeza de Jesus, de que um dia, estaremos na glória coroando assim nossa existência com o prêmio da vida eterna.



FONTE:
- BENTO XVI. Os Apóstolos e os primeiros discipulos de Cristo. Tradução: Gian Bruno Grosso. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.

- BÍBLIA DE JERUSALÉM. Ed. 4. São Paulo: Editora Paulus. 2002.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Chacina no Rio

      O Brasil encontra-se em luto, pois ontem 7 de abril de 2011, cerca de 11 crianças e adolescentes foram assassinados em uma escola na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Se você ainda não está por dentro do acontecido confira a reportagem veiculada pelo Jornal Hoje, da Rede Globo de Televisão clicando aqui.
      Eu sei que este artigo era para ser sobre desilusão, mas os fatos do momento nos levam a um questionamento sobre a realidade das crianças, adolescentes e jovens de nosso país.
      O Ministério da Justiça publicou em fevereiro deste ano um levantamento acerca da violência no meio juvenil, o documento está intitulado como “Mapa da Violência 2011”. Nele podemos perceber que 63% dos jovens do Brasil morrem devido a violência. É um número alarmante e ao mesmo tempo questionador.
      Por que há tanta violência contra nossos jovens? Como temos contribuído para que esse dado possa ser menor? O que teria levado esse rapaz a assassinar tantas crianças e adolescentes no Rio de Janeiro? Por que se assassina alguém?...
      De acordo com testemunhas, Wellington Menezes, autor dos assassinatos na escola do Rio, era uma pessoa que durante sua infância e adolescência não possuía muitos amigos. Por ter um comportamento estranho e um jeito de ser que o diferenciava dos demais estudantes de sua época ele era muito zombado na escola, sobretudo, pelas meninas.
      Talvez esteja aí uns dos porquês de Wellington ter retornado anos mais tarde na mesma escola e, poderíamos dizer assim, vingar-se dos estudantes de lá. Se esse testemunho é verdadeiro podemos classificar toda essa problemática enfrentada por Wellington como o famoso bullying.
      Ele é muito presente nas escolas e acontece quando zombamos de alguém ou até o agredimos porque não aceitamos sua opção sexual, não aceitamos seu modo de se vestir, não aceitamos sua cor, raça. Bullying talvez possa ser tema para um próximo post, mas por hora, isso me faz lembrar uma frase bíblica que diz: Não olhe para o cisco do olho de seu irmão antes de arrancar a trave que há no seu.
      Palavra forte e talvez um tanto que moralista, mas é bem por aí, ao invés de julgarmos as pessoas porque não nos aproximamos delas e tentemos ajuda-las? Se você é cristão, coordenador de grupo de jovens, catequista, integrante de algum grupo ou movimento, como seu grupo tem trabalhado com as diferenças?
      É triste chegar a tal conclusão, mas muitas vezes temos belas palavras em nossas reflexões, em nossos grupos, mas elas ficam presas nas quatro paredes de nossas Igrejas ou locais de reunião. Isso nos impede de abrirmo-nos ao diferente. E como acolhê-lo? Mostrando-o que ele é importante para a Igreja, para a sociedade, para a comunidade. Fazer com que ele se sinta alguém. Todo jovem, ou quase todos, querem ser notados, querem por a mão na massa, falta-lhes quem lhes dê espaço.
     Sabemos que somente oração não ajuda é necessário também obras. (cf São Tiago 2,17) Essas obras nem sempre passam apenas por uma boa direção espiritual, mas também devem conduzir o jovem, o adolescente, a criança, para um acompanhamento profissional no âmbito psicológico, psiquiátrico e ciências afins.
      Às famílias das vítimas do Rio ofereço minhas orações, bem como peço a você querido leitor (a) que reze por eles, mas que também faça algo para que outras cenas como esta não se repitam em nosso país, em nosso mundo. Ame mais, acolha mais!
Fontes:
Sagrada Escritura
Mapa da Violência 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

A vida por um fio


          A Igreja tem se empenhado, embora sem muita repercussão, na divulgação de uma campanha permanente, a campanha consiste em lutar contra a violência e extermínio de jovens; muito interessante essa mobilização, mas hoje quero mostrar-lhes um outro lado da violência.
Geralmente quando ouvimos ou falamos contra a violência imaginamos logo algo que seja externo a nós, ou seja, alguém nos faz um mal ou vice-versa. Agora, o que fazer quando a violência é causada por nós e contra nós?
          Assustei-me ao saber que o suicídio é a segunda causa pela qual os adolescentes morrem; ainda hoje, esses dias na faculdade o assunto foi suicídio, e quando a palavra jovem foi citada aí então começou o alvoroço... Todos queriam falar da preocupação com os inúmeros jovens que ou concretizam o ato ou então tentam se suicidar. E por que essa atitude?
          Muitos jovens buscam essa alternativa não porque querem morrer, mas sim pelo fato que desejam mudar de vida ou colocar fim aos problemas. Não sei se estou errado em dizer, mas penso que se suicidar é um grande ato de violência, não apenas porque fere o corpo, mas sim pelo fato de que o coração já está ferido faz tempo por um sentimento de desvalorização ou por uma desilusão, dado às vezes pela perda de uma pessoa querida e frustrações.
 A morte não é a primeira alternativa de um jovem que está cheio de problemas, se ele chega ao ponto de querer morrer é porque nesse momento o seu ‘eu’ já não encontra mais espaço dentro de si para acumular dores e sofrimentos causados por más relações estabelecidas com sua família, amigos e consigo mesmo.
Essa violência (bem entendido que até hoje nunca vi esse termo violência para suicídio) está mais presente do que nunca em nosso meio; uma das maiores causas é a desilusão, e isso será tema do próximo post, mas enquanto isso, quero saber de você, o que você acha sobre o suicídio entre jovens? Já teve alguém que você conhece que tenha se suicidado ou tentado o suicídio? Você entende como violência para consigo mesmo o ato de se suicidar? Na sua opinião porque há esse desejo? Qual o maior motivo pelo qual as pessoas, sobretudo, os jovens suicidam-se? Deixe aqui seu comentário, ele será muito útil para a próxima postagem.
Deus o (a) bençõe!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tudo posso, mas nem tudo me convém!

“Tudo me é permitido”, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma
(1 coríntios 6,12)
    Isso me parece ser um bom conselho de São Paulo! Muitos pregadores, sacerdotes, coordenadores de pastorais e movimentos de nossa Igreja pregam uma teologia do não, na qual o discurso central é: NÃO pode fazer isso, NÃO pode fazer aquilo...está aí, “Tudo me é permitido”, porém....não me deixarei escravizar por coisa alguma.
    Muito bem, no artigo "Sexo agora? Fala sério!" eu mostrei como nossa sociedade tem visto os jovens de hoje, e levantei o problema: como evangelizar? Confesso que por um instante achei que pregar a castidade para os tempos atuais estava ultrapassado e sem força alguma, mas cheguei a conclusão de que a castidade é o caminho para começarmos a evangelizar uma juventude ‘presa’, emaranhada (misturada) no sexo.
    Trazer a castidade não apenas como algo que nos impede de praticarmos o sexo, mas sim como meio pelo qual nos tornamos mais dignos enquanto pessoa, enquanto filhos (as) amados (as) do Pai. Viver a castidade está para além da relação sexual.
    Segundo o Catecismo da Igreja Católica, no artigo 2.348 todo batizado é chamado à castidade, ainda neste capítulo lemos: “ O cristão ‘ se vestiu de Cristo’, modelo de castidade.” Ou seja, nós enquanto batizados somos vestidos de Cristo, Ele está impresso em nossa vida, em nossas atitudes, graça essa que só nos é concedida pelo batismo.
    Muito interessante essa visão; note que ela é bonita e forte demais para nós, cristãos, mas e aqueles que se dizem sem religião? E aqueles que não professam a mesma fé que nós ou então não acreditam em nada disso? E esse é o principal problema, porque falar para os jovens que estão na Igreja já está difícil, imagine falamos para aqueles que preferem não trocar uma ideia sobre esse assunto de religião. Complicado! Mas não impossível.
    O Catecismo da Igreja está certíssimo quando diz que somos chamados para a castidade, quem sou eu para discordar de anos de estudo, discussões;  mas tem uma falha, falha esta que não está diretamente ligada ao catecismo, mas sim aos que o interpretam. Temos no Catecismo um modelo, é como se o Catecismo fosse um microondas, o temos, mas de nada vale se não sabemos os métodos de como utilizá-lo; ou seja, temos o catecismo, mas falta-nos como aplicá-lo na vida. Por isso se torna difícil falar aos que estão na Igreja, porque podemos falar e ensinar aquilo que a Igreja, a Escritura diz, mas se não tivermos uma metodologia para que o nosso falar se torne uma prática constante na vida da juventude, o nosso pregar é em vão, porque eles ouvirão, vão querer viver, mas vão se frustrar quando não resistirem a tentação e realizarem um ato sexual. Veja, é preciso mais do que ficar preso às belas e profundas palavras do Catecismo, é preciso dar vida à elas, fazendo com que elas ecoem não nos ouvidos dos nossos jovens, mas sim na vida de cada um deles.
    Não importa se são católicos, protestantes, pentecostalistas, progressistas, emos, roqueiros, skynhead.... não importa a condição religiosa ou ideológica, importa a dignidade e a valorização que o (a) jovem irá receber ao viver a castidade.
    Como falar da castidade hoje? Qual o método para aplicar a teoria na vida? Porque mesmo não sendo um cristão batizado e não participando de Igreja nem movimento algum, preciso viver minha castidade?

Sexo agora? Fala sério!

    Qual é o jovem que não gosta de festa? Qual é o jovem que não quer estar na companhia de bons e velhos amigos, as vezes nem precisam ser tão velhos assim, basta que estejam conosco, tenham os mesmos gostos que os nossos, sejam legais, etc, etc...Tudo isso é muito bom, muito produtivo, nos faz valorizar as amizades e também as pessoas. E nesse ponto eu paro para perguntar, será que o carnaval de 2011 consolidou (tornou sólido, seguro) nossas amizades, nossas relações? Vamos valorizá-las e sermos valorizados?
    Bem, mas pouco importa.. hoje o lance é beijar, transar, ficar... relações com poucos sentimentos, porém com muitos interesses. Depois de Freud, eu arriscaria dizer, ficou difícil ‘segurar a barra’.... o sexo está aí, exposto nas ruas, através da moda, na mídia, através dos programas, comerciais, etc.
    O maior questionamento que tenho e que me faz escrever estes textos para vocês é que estou começando a me preocupar com a evangelização dos jovens no meio dessa sociedade do sexo.... a todo instante, quando ligamos a Tv, quando vamos assistir um filme, quando saímos com a namorada (o), vemos sexo, logo pensamos sexo e....muitas vezes pensamos no que vemos e fazemos o que pensamos. E aí, como falar de Deus, castidade, nesse mundo? Como ajudar os nossos jovens a errarem menos?
    Errarem menos? Então transar é pecado? É errado? Que papo de cora! Ao encontro dessas perguntas diria: Será que realmente somos desejosos de sexo ou isso é uma ideia que nos impõem? Bem, talvez você que lê esse texto agora possa achar meu pensamento um tanto ultrapassado, mas estamos aí para debater o tema e juntos chegarmos a uma conclusão desse assunto muito polêmico e pouco falado.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

“O Senhor é meu Pastor e nada me faltará” (Sl 22/23, 1)

    Queridos (as) irmãos (ãs), amados jovens: domingo, voltei de uma missão; fiquei na Zona Leste de São Paulo durante dez dias e conheci realidades de pobreza; uma coisa é você ouvir falar da miséria, outra coisa é você entrar na realidade e na casa do pobre. Veio ao meu coração uma frase de Dom Helder Câmara: “Prego para um povo que clama: o Senhor é meu pastor e nada me faltará, mas quando olho à minha volta vejo que falta tudo!”.
    Estimado (a) amigo (a): talvez aquele povo não tenha o material; mas todos acreditam que Deus está presente, como Pastor zeloso e cuidadoso. Um testemunho que muito me marcou foi de um senhor que visitei, cujo parente teve a casa inundada, na Zona Norte; ele me dizia: “é incrível, porque, todo ano, eles sabem que a chuva vai vir e acabar com tudo, mas, não tendo para onde ir, precisam sempre ter forças para se reerguer, mesmo todo trabalho indo embora, na próxima chuva”. Podem perder tudo, mas sabem que Deus é a força, é o auxílio.
    Quando lemos o Salmo 22/23, vemos que Davi coloca esse Pastor como o próprio Deus e faz isso baseado nas experiências que o povo fez no Antigo Testamento; agora, no Novo Testamento, esse Deus é um Deus que se encarnou no seio de Maria, fez-se homem como nós, chegou até nossa humanidade e nos chama de amigo, irmão.
Jesus é a concretização de toda a ação pastoril de Deus, ou seja, tudo aquilo que Deus realizou para o povo, todo o cuidado que teve, agora se torna mais intenso, não apenas realizando sinais, mas dando ao seu povo amado a salvação eterna, que vem através de Jesus.
    O verdadeiro pastor cura nossas feridas, nos dá remédio, vai atrás das ovelhas que se perderam, perdoando-as... Assim é o retrato do pastor, trazido pelo profeta Ezequiel, no capítulo 34, versículo 4. Dessa forma, quem tem o Senhor por seu pastor tem a certeza de que ele nunca o (a) abandonará, mas, ao contrário, irá cuidar de si, de sua vida. Isso, se nós permitirmos que ele seja o Senhor de nossa vida, o pastor de nosso caminho.
    
Três pontos norteiam essa nossa reflexão sobre o capítulo 10 do Evangelho de João; são eles:

1º Somos porteiros:
- O porteiro tinha a função de guardar o templo. Assim, vemos o quanto nós nos assemelhamos a esses porteiros; como nos fala o versículo 3, somos nós os responsáveis para que o Senhor entre como pastor em nossa vida, em nossa história. Uma vez deixando o pastor de nossa vida ser o próprio Senhor, Ele nos guiará para a tranquilidade interior e saberemos como agir nas dificuldades; mas, se formos maus porteiros, acontecerá o que nos diz o profeta Isaías (56, 9-11):
“Feras selvagens, venham comer, feras todas da selva: os guardas estão cegos e nada percebem, são cachorros mudos incapazes de latir; sonham deitados e o seu prazer é dormir; são cachorros com fome insaciável; são pastores, mas não são capazes de entender; cada um segue seu caminho e procura seus interesses.”

    Agimos por nossas próprias forças e sabemos quão limitados somos; por isso, vamo-nos perdendo naquilo que achamos ser o certo, perdendo-nos em nossas paixões.

2º É preciso sair do comodismo:
    Quando Jesus nos conduz, quando Ele é nosso Pastor, como vemos no versículo 4, do capítulo 10, Ele nos guia para a libertação, não nos quer presos; por isso, no versículo 4, lemos: “Depois de fazer sair todas as suas ovelhas, ele caminha na frente delas; e as ovelhas o seguem porque conhecem a sua voz”. Ele nos tira da situação de prisão, escravidão, causada pelo nosso comodismo. Hoje, as pessoas já estão acostumadas a viver situações de pecado, de vício...; hoje, tudo é normal, essa normalidade cada vez mais tem aprisionado nossos jovens no sexo, na droga; essa normalidade tem banalizado as mulheres nos comerciais, nos programas de TV...
    Quando assumimos o Senhor como o nosso Pastor, Ele nos chama a sair dessa situação, para nos entregarmos às suas mãos, numa vida nova. Por isso é importante clamarmos que Ele olhe por nós, cuide de nós; acaso, não foi isso que aconteceu com o povo de Israel?
    Vemos em Êxodo 2,23: “Os filhos de Israel gemiam sob o peso da escravidão, o seu clamor chegou até Deus”. O clamor chegou até Deus; e Deus chamou quem para cuidar do povo? Moisés, um pastor, para libertar o povo da escravidão. Moisés era pastor do povo, mas o próprio Deus era quem conduzia as ações de Moisés; todas as decisões de Moisés vinham do coração, do desejo de Deus.
    Moisés reconhecia que Deus era o seu SENHOR, e isso vemos claramente em Ex 4,10: quando Deus o chamou, Moisés respondeu: “Meu Senhor e meu Deus”; ali, Deus lhe garantia que seria um Deus com ele, ajudando-o a libertar o povo.
    Os israelitas andaram 40 dias e 40 noites pelo deserto, guiados por Moisés, mas, principalmente, guiados pela mão de Deus, que em nenhum momento os abandonou. O povo andou todo esse tempo e foi liberto. O mesmo acontece conosco: caminhamos para nossa libertação e, tanto quanto o povo, encontramos dificuldades e queremos voltar; porém, basta-nos clamar, acreditar no poder de nossa oração e na oração de nossos irmãos, bem como viver em comunidade, para sentirmos que Deus está conosco e, assim, continuarmos nossa caminhada de cabeça erguida.

3º Relação pastor – ovelha:
    No versículo 14, Jesus diz: “Eu sou o bom Pastor: conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem”. O verbo conhecer, na Bíblia, é um verbo carregado de sentido, significando intimidade, conhecimento profundo.
    No versículo 3, vemos que o pastor chama cada uma das ovelhas pelo nome; somos chamados pelo nome, apenas por quem nos conhece e nos ama. Nossa Senhora aprendeu bem esta lição; é tão bonito quando ela aparece ao índio Juan Diego, aqui na América Latina, e o chama pelo nome, e ainda, de maneira carinhosa, quando ele passa pelo monte, ela lhe diz: “Dieguito”. Isso é demonstração de carinho, intimidade...
    Adão dava nome às espécies, como vemos em Gn 2, 19-20; mas, aqui, no Evangelho de João, notamos a presença de um pastor que não chama pela espécie, senão diria ‘humana’. Ele chama na segunda ou na terceira pessoa do singular: tu/você. Chama a sua pessoa, chama-o (a) de maneira individual. Isso é claramente visto em Isaías, capítulo 43, versículo 4: “Você é precioso para mim e eu O AMO”.
    O chamado dos discípulos também é elucidativo. Em Mateus (4,18), Jesus, andando, viu dois irmãos e lhes disse: “Sigam-me”. Do mesmo modo que Ele foi chamando os que quis, assim nos ama porque quer – seu amor por você e por mim, por nós, é tão grande que, quando Ele reuniu os discípulos, para enviá-los em missão, o que lhes disse? – “Vão primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 10,6).
    Veja: Jesus, como o bom pastor, ama você, e, hoje, o (a) convida para voltar para os seus braços, para deixar-se guiar por ele. Pode ser que você esteja perdendo tudo na sua vida material, talvez a esperança esteja acabando... Repouse, agora, nas águas tranquilas (como rezamos no salmo 22/23), acalme seu coração, para que você encontre caminhos alternativos, descanse nos braços do Pastor e, assim, tenha forças nas lutas.


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Em breve trarei um texto sobre a missão, mas enquanto isso, você pode comentar esse texto do bom pastor. Fico no aguardo! Deus o abençoe!!
Coragem!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Feliz 2011

Olá, pessoal;
Paz e bem!
Estou chegando hoje de missão, em breve começarei a publicar alguns textos para nossa reflexão nesse ano de 2011!
Fiquem com Deus!
Coragem!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

TUSCA = Tornar-se um Sem Cérebro Agora.

Vocês já ouviram falar em TUSCA? O que significa? Digo-lhes: Taça Universitária de São Carlos. É um evento esportivo que une atletas da USP e da Ufscar para competirem diversas modalidades esportivas. Pois bem, a TUSCA deveria ser chamada: “Torne-se Um Sem Cérebro Agora”. Porque, para fazer o que muitos fazem lá, só não tendo massa cefálica. Junto com o esporte, vem também a arruaça realizada pelos mais de 20 mil universitários que participam do evento. Nessa TUSCA, além dos esportes, você leva dentro do pacote: muita música, shows, bebida, droga, sexo, curtição! Uhuuul, que maravilha! É isso aí!
Essa é a educação que você sempre sonhou para as pessoas de seu país, inclusive para seus parentes, não é?
No site oficial da TUSCA, nós podemos conhecer um pouco da história, e lá diz-se que: “A TUSCA, Taça Universitária de São Carlos, é um torneio que está em sua 31ª edição e teve início na década de 70, sendo, desde lá, um acontecimento que mobiliza toda a cidade de São Carlos”.
De fato, a TUSCA tem mobilizado a cidade de São Carlos, bem como tem deixado sua população perplexa diante de tamanha baderna realizada pelos futuros profissionais de nosso país. O esporte é muito saudável e penso ser uma banalização do mesmo promovê-lo em meios tão deturpados como é a TUSCA (atualmente, falando no seu sentido não esportivo, mas pelas festas promovidas pela mesma). Um esporte prioriza a vida, e, como atleta, posso assegurar que, em um campeonato e/ou torneio, não é permitido aos atletas o uso de bebida alcoólica, nem tampouco algum tipo de droga ou coisas do gênero. O que vemos na TUSCA? Universitários bebendo, enchendo a cara e contribuindo, cada vez mais, para um mundo capitalista e consumista. Tudo isso em nome do esporte? Em nome do esporte fazem arruaça e enchem os bolsos (de maneira suja e perversa) dos comerciantes da cidade de São Carlos?
Por que, para tão grande evento esportivo, não há uma conscientização, por parte dos participantes, do quão importantes são suas vidas, bem como suas capacidades cognoscitivas? Para onde caminha nossa educação? Nas mãos de quem está o futuro de nosso país? Ao me deparar com a TUSCA, apenas faço a seguinte pergunta: esses muitos universitários envolvidos na TUSCA apenas por diversão e bagunça, qual será a ética profissional que respeitarão?
Não desmereço os alunos que estão na TUSCA para levarem um troféu e se divertirem de maneira saudável, competindo não pelo simples fato de ganhar, mas sim pela interação e oportunidade de troca de conhecimento estimulada por esse tipo de competição.
Universitário bom não é aquele que bebe e faz sexo enquanto cursa algo na universidade; mas sim é aquele que aprende algo no que cursa, para colocar à disposição do povo que, de maneira indireta, investe e contribui para a formação de cada intelectual.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Jovem: uma pedra de tropeço?

Muito me preocupo com a evangelização de nossos jovens. Já nos dizia o Papa Bento XVI, em sua visita ao Brasil: “eles estão como ovelhas sem pastores”, eles precisam encontrar em nossas comunidades um espaço para manifestar aquilo que pensam e colocar ali, em comum, seus sonhos, projetos, enfim, sua criatividade.
Falo isso por experiência própria. O jovem encontra na comunidade a família que talvez ele não tenha em casa, o amigo que ele não tem na vida, daí a importância de o tratarmos bem, entendendo-o e ajudando no que for preciso para que ele encontre um caminho seguro.
Estou ciente das dificuldades que se encontram ao se trabalhar com a juventude. Às vezes, decepcionamo-nos muito, mas eles também possuem o direito de errar – cabe a nós ajudar e fazê-los fugir do erro. Foi pensando nessa dificuldade de evangelizá-los que resolvi escrever este artigo e relatar nele um sonho de Dom Bosco, pai e mestre da juventude. Espero que este sonho lhe ajude na orientação dos jovens de sua comunidade.
Sonho de Dom Bosco entre 1871 e 1872, retirado do livro “Dom Bosco”, de Terésio Bosco, editora Salesiana:
"Pareceu-me estar numa região selvagem, totalmente desconhecida. Era uma planície imensa, inculta. Nela não se viam nem montes, nem colinas. Nas longínquas extremidades, porém, erguiam-se montanhas fragosas. Vi turbas de homens que a percorriam. Estavam quase nus. Sua estatura era extraordinária e o seu aspecto, feroz. Tinham cabelos hirsutos, longos, bronzeados, escuros. Vestiam apenas folgados mantos de peles de animais, que lhes desciam nos ombros. Por armas usavam uma lança comprida e funda.
Essas tribos dispersas ofereciam aos olhares cenas variadas: uns corriam dando caça às feras; outros caminhavam levando, enfiada na ponta das lanças, carne a sangrar. Uns lutavam entre si; outros com soldados vestidos à europeia. O chão estava semeado de cadáveres. Àquele espetáculo eu fremia...
Senão quando surgem da extremidade da planície muitas pessoas: pelo modo de vestir e de agir compreendi que eram missionários de várias Ordens. Vinham para pregar aos selvagens a religião de Jesus Cristo. Fixei-os atentamente, mas não reconheci ninguém. Foram para o meio daquela gente, mas os bárbaros, apenas os viram, lançaram-se contra eles e os mataram, espetando os macabros troféus na ponta de suas longas lanças.
Depois de ver aquelas cenas terríveis, pensei comigo mesmo: “Como fazer para converter essa gente tão brutal?
Nesse instante, vi ao longe um grupinho de outros missionários que se aproximavam alegremente dos selvagens, precedidos de multidão de jovens. Eu tremia pensando: ‘essa gente quer morrer!’. Aproximei-me deles. Eram padres e clérigos. Olhei-os com atenção, e vi que eram nossos salesianos. Aos primeiros eu conhecia. E, embora não pudesse reconhecer pessoalmente muitos dos que lhe vinham depois, tive certeza absoluta de que também eles eram missionários salesianos.
‘Como possível?’, pensei comigo mesmo. Quisera não prosseguissem. E estava ali para detê-los: temia que, de repente, lhes coubesse a mesma sorte que aos primeiros missionários. Mas notei que a sua presença causava alegria a todas aquelas tribos de bárbaros. De fato, abaixaram as armas. Depuseram toda a ferocidade. Acolheram os nossos com todas as demonstrações de cortesia. Maravilhado, dizia comigo: ‘Vamos ver como tudo isso vai acabar!’. Vi que os nossos missionários se aproximavam daqueles selvagens, os instruíam: e eles ouviam com prazer a sua palavra. Ensinavam e eles aprendiam com interesse. Admoestavam e eles aceitavam e punham em prática suas admoestações.
Quedei-me a observar: os missionários recitavam o Terço e os selvagens o rezavam com eles. Instantes depois, os salesianos foram para o meio da turba, que os rodeou. Ajoelharam-se e os selvagens, depostas as armas, também se ajoelharam. E eis que um dos salesianos entoou o canto: Laudate Maria, o lingue fedeli (louvai a Maria, ó línguas fiéis) e todas aquelas turbas a uma só voz, continuaram o canto com tanta força que eu, meio espantado, acordei."

Anos mais tarde, Dom Bosco teve a confirmação de seu sonho concretizando-o na América do Sul.
Caríssimos, ao ler esse sonho pude sonhar com uma evangelização possível aos jovens de nossas comunidades. Muitas vezes, são eles os selvagens, duros, incrédulos, entregues a tantos outros deuses. Cabe a nós imitarmos os passos de Dom Bosco, sua alegria, seu amor pela juventude, pois, só assim, iremos saber ouvir a nossa juventude e também conseguiremos ser amigos dos jovens. Somente desta maneira, acredito eu, através da amizade, podemos evangelizar nossa juventude. Reflita mais sobre esse sonho de Dom Bosco. Tenho certeza que encontrará um meio de evangelizar os inúmeros jovens que ainda estão entregues às drogas, vícios, ou seja, a uma vida ao léu. Mais do que falar do Evangelho é preciso sê-lo aos jovens.
''Que os jovens não sejam amados, mas que eles próprios saibam que são amados...
Que, sendo amados nas coisas que lhes agradam, aprendam a ver o amor nas coisas que naturalmente pouco lhes agradam...'' (São João Bosco)
Rogo a intercessão de Dom Bosco e de Maria Santíssima sobre nossos jovens. Que a intercessão chegue ao coração de Jesus, derramando sobre nossas juventudes alegria verdadeira e discernimento, para seguirem os caminhos do Senhor.
Robson Luiz Caramano de Camargo